wIdéias em caixinhas
Um dia eu reparei que minhas idéias eram concebidas a partir do olhar atento das coisas acontecidas ao meu redor. Então eu imaginei a cidade como um grande supermercado, com prateleiras oferecendo sentimentos, e idéias sendo vendidas em caixas. E aqui eu descrevo a conclusão das minhas compras. Sugestões para as próximas compras, trocas de produtos e reclamações serão bem vindas.


wCompras anteriores:


-- HOME --

Alguns links
Suburbano Convicto
Atire no Dramaturgo
Meu flog
Tattooland
Tattoo Brazil
Tortura Nunca Mais
Tv Cultura


This page is powered by Blogger. Why isn't yours?
wQuarta-feira, Março 29, 2006


Item do dia: Excesso do que fazer.

Descobri uma nova forma de matar o tempo no trabalho: trabalhando.
Aí descobri o quanto meu trabalho é chato... =/
Será que sobrevivo até o fim da semana?
Ah, porque descobri essa forma de matar o tempo? Mataram o Msn e o orkut aqui...
O orkut vá lá, mas o msn? Coisa chata... To participando do Big Brother. Só que minha gerente resolveu dar uma de rainha de copas e diz pra todos que a contrariem: "Cortem-lhe a cabeça!".
Eu nem tava mais conversando, era só pra não sentir tanta solidão e frieza nessa biblioteca. =(
Ai hoje é aquele dia mala, em que todos os professores resolvem liberar de uma vez os alunos para fazerem pesquisa. Como se eles soubessem fazer isso.
E todos querem que eu adivinhe qual é o livro amarelo com o macaquinho preto na capa. Ou então que eu saiba qual livro tem a pedra roxa em baixo da mesa branca, na página 37. E depois trabalhar com pesquisa é fácil, nénão?
Hoje também foi dia de levar bronca da chefe. De novo. Essa eu relevo, tava até sentido falta. A bronca de sempre. Comem o dela e ela vem comer o meu. Quero terminar minha faculdade, só isso. Faculdade essa que não vou desde segunda.
Dia de chuva e a xícara de chá com a bolacha sabor banana e canela do lado do ultra-power-mega novo computador. Monitor 17", tela plana, leitor de dvd e gravador de cd.
Opa! Eu disse leitor de dvd?? Meus problemas acabaram! Vou matar o tempo que eu gastava com trabalho, vendo dvd! Oras, oras! Ai eu acordei, né?
Um textinho pra matar o tempo, era só isso.

Na rádio do supermercado não toca nada. O ultra-power-mega computador não tem caixinha de som... ALGUÉM AI PODE DIZER COMO É QUE EU VOU CONTINUAR TRABALHANDO NESSA BIBLIOTECA???

Me demito!


Produto oferecido porTaty às 9:14:41 PM

SAC:

wSegunda-feira, Março 27, 2006


Item do dia: Saudade

É dos piores sentimentos. O pior. Tudo bem, o ódio é o pior, mas a saudade é mais dolorida, não doentia.
Essa é a minha fase de saudade, sempre mês e meio depois que ele desaparece. Dessa vez, ele não volta mais. E a saudade galopa toda manhã na "nossa" cidade.
Nostalgia. Tudo vem em imagens douradas e gotas de chocolate. Clarice Lispector ajudou a piorar tudo com sua Ângela Pralini fugindo de Eduardo. Nesse momento, sentei na cama e sorri, pois exatamente há mês e meio não fujo de ninguém, nem de mim.
O que mais tenho feito é ficar comigo. Tenho sido a melhor companhia, a melhor conselheira. Ostrinha preparando uma pérola, lagarta num cásulo. Você, crisálida...
Sua voz que não sai da memória. Eu que pensei que não lembraria dela. Sabe o que não lembro? Teu cheiro.
A maciez dos teus lábios sim, tamanho, cor, sabor. Textura da pele e pêlos. Eu só queria você do jeito que é, sem mudar um ponto. Sempre foi utópico. Não tinha como dar certo. Eu enxergava, sempre enxerguei. Nunca aceitei, até agora.
Agora, percebi que sinto saudade, mas não quero mais.
Agora sim, deu preguiça de você.
P.s.: Apesar de tudo, só sinto por você saudade. Raiva, parece que não.

A rádio do supermecado toca: Longe demais - Vanessa da Mata. Pq eu esperei, todo o tempo esperei...


Produto oferecido porTaty às 10:14:06 AM

SAC:

wSexta-feira, Março 17, 2006


Ofertão do dia: Bienal


Eu, como boa futura bibliotecária (ansiosíssima para dizer logo BIBLIOTECÁRIA!), não poderia perder a maior feira literária e comercial de nossa cidade. E não perdi!
Estive na quarta-feiran na 19º Bienal do Livro e gostei muito do que vi.
Antes de descrever meus pensamentos, quero deixar claro aqui que tenho uma ótica diferente sobre vendas e livros.
Primeiro que sou profissional do setor e vejo a leitura como um ato libertário e individual. Segundo que os estandes precisam vender, mesmo que seja aquele horroroso livro de auto-ajuda ou James Joyce em edição especial. Não importa, é pra isso que a feira existe em primeiro lugar, e financeiramente deve-se entender.
A questão da criação do bom gosto, fica a cargo de professores e bibliotecários, rs. (Macacos me mordam, Batman! Estamos ferrados!)

Enfim, tava boa pra caralho! Livros pra todos os gostos e bolsos, pra todos os ideais e idéias, passatempos, arte, literatura, cultura, culinária... Uma verdadeira orgia literária. E era o que era pra ser, não é?
Levei minha mãe pra ver se coloco mais cultura nesta casa, mas ela é agarrada nos livros espíritas e de auto-ajuda. Deixei, não adianta forçar, mas ela até que tentou, rs.
No estande da LP&M, enquanto eu ficava louca entre todos do Kerouac ou todos do Buk ou todos do Caio Fernando Abreu ou Dom Quixote ou... Ufa! rs Ela pensou em outros exemplares de literatura e até Annais Ninn! Ela ainda me surpreende, por isso a amo tanto.
Bem, mas na LP&M só comecei minha festa, decidindo por apenas um de cada um dos autores. Quer dizer, Só Kerouac com seu Viajante Solitário (que eu tava devendo a mim mesma desde q fui pra Curitiba) e Caio F. com Triângulo das águas. Só pra abrir o apetite, rs.
Chorei, chorei, chorei, o q pude e não pude, mas o atendente estava irredutível e não quis dar desconto caso eu levasse mais um livro. Desisti, pois sabia que ainda teria que gastar mais saliva em outras livrarias.
O pavilhão do Anhembi foi a escolha perfeita, não só pela infra-estrutura, mas pela localização.
É muito fácil chegar lá, mesmo a pé. É que esse solzão de fim de verão não ajuda a caminhar, mas com os ônibus que saem um após o outro da estação Tiête, fica tudo mais prático.
A entrada também estava barata e dava desconto na compra de livros. O único problema é que não podiamos gastar todo o desconto em um único livro. Foi uma pena, mas mesmo assim gastei todo meu desconto, rs.
Logo depois, acabei parando na Saraiva, só pra ver, pq as "stores" da vida são os estandes mais caros da feira. Apesar disso, quase comprei Gabo e suas memórias lá, mas quando estava negociando os descontos com o atendente, uma moça me puxou pelo braço e disse que na americanas.com o livro estava quase pela metade do preço. Não tive outra solução a não ser sair arrastando minha mãe pela bienal e correr até lá. De quebra, levei Ulisses de James Joyce tb, louca de vontade de sair com Memórias de uma gueixa e o guia do mochileiro das galáxias, em super promoção, mas que não cabiam mais no orçamento.
Sai correndo de lá e tratei de esconder meu cartão no recondito mais profundo da minha bolsa, para não cair mais em tentação.
Ainda tinha o livro do Marçal Aquino, "Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios", mas tava tabelado e não ia sair desconto, fora que achei muito caro.
Nesta altura começamos a apenas olhar os estandes, passei pelos de biblioteconomia, vários livros que eu realmente preciso, compro depois, por enquanto me estapeio na biblioteca da facul por eles mesmo, rs.
E ai a bienal começou a ficar cansativa, pq já tinhamos comprado, andado, tropeçado nas crianças que estavam em excursões escolares, descoberto bons livros e promoções, novos autores, conversado com o pessoal, etc, etc, fomos embora.
Comecei a ler os livros na fila de espera do ônibus mesmo, tal a sede de ver o que tinha comprado. Terminei Gabo hoje e emendei Caio F., mais os livros da facul para o trabalho do dia 04... rs.
Adoro essa vida! ai, ai.
Ah, tudo isso pq ainda estou em casa, afastada. A vida boa acaba na terça.

E foi isso. O texto não tá bom, mas pelo menos a vontade de escrever voltou.
O supermercado está ótimo, essa semana fiz ótimas compras, vou descrevendo por aqui. Ai a qualidade vai melhorando. É a prática, rs.

Na rádio do supermercado toca: Got my mojo working - Etta James. A mulher é fenomenal!


Produto oferecido porTaty às 10:14:18 PM

SAC:

wSexta-feira, Março 03, 2006


Item do dia: Fantasmas

Até que ponto você tem medo dos seus fantasmas?
Eles te deixam sem ação?
Eles te dominam?
Quem são esses fantasmas? Pensamentos? Sentimentos? Pessoas? Uma junção de tudo isso?
Eles te atacam em todo os lugares?
Você os enfrenta?

Sou sadomasoquista e louca. Eu brinco com os meus fantasmas, mesmo quando eles me machucam, muito.
Gosto do prazer causado pela dor de sua existência. Gosto do sofrimento quem eles me causam, do limite e das barreiras que eles me obrigam a perceber.
Gosto dos meus fantasmas porque eles me fazem forte. Suas correntes e seu cochichos soam como odes à coragem insana de me atirar na dor.
Eu nunca fujo deles.
O extâse sombrio de arfar e urrar enquanto sinto a carne sendo dilacerada pelos dedos gelados e as línguas torpes percorrem minha alma.
Mas meus fantasmas são cultos, se sobrepujam de discernimento e até me aconselham. Têm se tornado boas, excelentes companhias para as horas de desespero, ao ponto de preferir ficar com eles à ter qualquer contato com gente viva.
Eles me levam pra passear, sempre com morfina. E a dor fica da cor do arco-íris, com bolinhas prata.
Cada um lida com eles da forma que os apraz. Com os meus, já joguei xadrez, já caminhei no túnel do tempo, já viajei de ônibus por 6 horas em estradas desconhecidas.
Eles não me consomem mais. São belos e sujos em tudo o que eu sempre quis.

Na rádio do supermercado toca: Memórias - Pitty

Produto oferecido porTaty às 1:12:50 AM

SAC: